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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Colapso financeiro à vista: Quando é o "mais cedo, ou mais tarde"?

por: Dr. Paul Craig Roberts

Desde o princípio da crise financeira e do Alívio quantitativo (Quantitative Easing), a questão tem estado diante nós: Como pode o Federal Reserve manter taxas de juro zero para bancos e taxas de juro reais negativas para poupadores e possuidores de títulos quando o governo dos EUA está a acrescentar US$1,5 milhão de milhões (trillion) à dívida nacional a cada ano através dos seus défices orçamentais? Não muito tempo atrás o Fed anunciou que ia continuar esta política por mais dois ou três anos. Na verdade, o Fed está trancado nesta política. Sem as taxas de juro artificialmente baixas, o serviço da dívida sobre a dívida nacional seria tão grande que levantaria questões acerca da classificação de crédito do Tesouro dos EUA e da viabilidade do dólar – e assim os milhões de milhões de dólares em taxas de juro swaps e outros derivativos ficariam decompostos.

Por outras palavras: a desregulamentação financeira que levou aos jogos da Wall Street, a decisão do governo estado-unidense de salvar os bancos e mantê-los a flutuar e a política de taxa de juro zero do Federal Reserve colocaram o futuro económico dos EUA e da sua divisa numa posição indefensável e perigosa. Não será possível continuar a inundar os mercados de títulos com US$1,5 milhão de milhões (trillion) em novas emissões a cada ano quando a taxa de juros sobre os títulos é menor do que a taxa de inflação. Todos os que compram um título do Tesouro estão a comprar um activo depreciado. Além disso, o risco capital de investir em títulos do Tesouro é muito alto. A taxa de juro baixa significa que o preço pago pelo título é muito elevado. Um aumento das taxas de juro, o qual deve ocorrer mais cedo ou mais tarde, provocará o colapso do preço dos títulos e infligirá perdas capitais aos seus possuidores, tanto internos como estrangeiros.

A questão é: quando é este mais cedo ou mais tarde? O objectivo deste artigo é examinar essa questão.

Vamos começar por responder à pergunta: como foi possível uma tal politica indefensável perdurar tanto tempo?

Um certo número de factores está a contribuir para a estabilidade do dólar e do mercado de títulos. Um factor muito importante é a situação na Europa. Ali também há problemas reais e a imprensa financeira continua a centrar-se na Grécia, na Europa e no euro. Será que a Grécia sairá da União Europeia ou será chutada para fora? Será que o problema da dívida soberana propagar-se-á à Espanha, Itália e basicamente por toda a parte excepto a Alemanha e a Holanda?

Será o fim da UE e do euro? Trata-se de perguntas muito dramáticas que mantém o foco fora da situação americana, a qual provavelmente ainda é pior.

O mercado de títulos do Tesouro também é ajudado pelo medo que investidores individuais têm do mercado de acções, o qual foi transformado num casino de jogo através do trading de alta-frequência.

O trading de alta-frequência é uma comercialização electrónica baseada em modelos matemáticos que tomam as decisões. As firmas de investimento competem na base da velocidade, na captura de ganhos numa fracção de um cêntimo e talvez na manutenção de posição por apenas uns poucos segundos. Estes não são investidores a longo prazo. Contentes com as suas receitas diárias, eles fecham todas as posições no fim de cada dia.

Os negócios de alta-frequência actualmente representam 70% a 80% de todas as transacções de acções. O resultado é uma grande azia para os investidores tradicionais, os quais estão a abandonar o mercado de acções. Eles acabam nos títulos do Tesouro porque estão inseguros quanto à solvência de bancos que pagam quase nada por depósitos, ao passo que títulos do Tesouro a 10 anos pagarão cerca de 2% nominais, o que significa, utilizando o Índice oficial de Preços no Consumidor, que estão a perder 1% do seu capital a cada ano. Utilizando a medição correcta da inflação de John Williams ( www.shadowstats.com ), eles estão a perder muito mais. Ainda assim, a perda é cerca de 2 pontos percentuais a menos do que estar num banco e, ao contrário dos bancos, o Tesouro pode ter o Federal Reserve a imprimir dinheiro para liquidar seus títulos. Portanto, o investimento em títulos pelo menos retorna a quantia nominal do investimento, mesmo que o seu valor real seja muito mais baixo.

(Para uma descrição do trading de alta frequência, ver: http://en.wikipedia.org/wiki/High_frequency_trading )


Os media financeiros presstitutos contam-nos que a fuga da dívida soberana europeia, do euro condenado, e do contínuo desastre imobiliário para os títulos do Tesouro dos EUA proporciona financiamento para os défices anuais de US$1,5 milhão de milhões de Washington. Investidores influenciados pela imprensa financeira podem estar a responder desta forma. Outra explicação para a estabilidade da indefensável política do Fed é a conivência entre Washington, o Fed e a Wall Street. Examinaremos isso quando avançarmos.

Ao contrário do Japão, cuja dívida nacional é a maior de todas, os americanos não possuem a sua própria dívida pública. Grande parte da dívida dos EUA é possuída no estrangeiro, especialmente pela China, Japão e OPEP, os países exportadores de petróleo. Isto coloca a economia estado-unidense em mãos estrangeiras. Se a China, por exemplo, fosse indevidamente provocada por Washington, ela podia despejar US$2 milhões de milhões em activos denominados em US dólar nos mercados mundiais. Todas as espécies de preços entrariam em colapso e o Fed teria rapidamente de criar o dinheiro para comprar a descarga chinesa de instrumentos financeiros denominados em dólar.

Os dólares impressos para comprar os rejeitados haveres chineses de activos em US dólares expandiriam a oferta de dólares nos mercados de divisas e atirariam para baixo a taxa de câmbio do dólar. O Fed, falto de divisas estrangeiras para comprar os dólares, teria de recorrer à troca de moedas (currency swaps) por dívida soberana da Europa em perturbação para [obter] euros, à Rússia, cercada pelo sistema de mísseis estado-unidense, para obter rublos, ao Japão, um país pior que os EUA em matéria de compromissos, para obter yens, a fim de comprar os dólares com euros, rublos e yens.

Estas trocas de moedas estariam nas contabilidades, irresgatáveis e tornando problemática a utilização ulterior de tais swaps. Por outras palavras, mesmo que o governo dos EUA possa pressionar seus aliados e fantoches a trocar suas divisas mais sólidas por uma divisa estado-unidense em depreciação, isto não seria um processo repetível. Os componentes do Império Americano não querem ficar com dólares nem tão pouco os BRICs.

Contudo, para a China, por exemplo, despejar subitamente seus haveres em dólares seria custoso pois o valor dos activos denominados em dólar declinaria quando os despejassem. A menos que a China seja confrontada com um ataque militar dos EUA e precise enfraquecer o agressor, a China como um actor económico racional preferiria sair do US dólar vagarosamente. Nem tão pouco o Japão, a Europa ou os OPEP pretendem destruir sua própria riqueza acumulada com os défices comerciais dos EUA despejando dólares, mas as indicações são de que todos eles pretendem sair dos seus haveres em dólar.

Ao contrário da imprensa financeira dos EUA, os estrangeiros que possuem activos em dólar vêem o orçamento anual e os défices comerciais estado-unidenses, vêem o afundamento da economia dos EUA, vêem as apostos não cobertas dos jogos da Wall Street, vêem os planos de guerra da hegemonia ilusória e concluem: "Tenho de sair fora disto com todo o cuidado".

Os bancos dos EUA também têm um forte interesse em preservar o status quo. Eles possuem Títulos do Tesouro dos EUA e potencialmente detentores ainda maiores. Eles podem tomar emprestado do Federal Reserve a taxas de juro zero e comprar Títulos do Tesouro a 2%, ganhando portanto um lucro nominal de 2% para compensar perdas derivadas. Os bancos podem tomar dólares emprestados do Fed gratuitamente e alavancá-los em transacções derivativas. Como coloca Numi Prins, os bancos estado-unidenses não querem comerciar contra si próprios e a sua fonte gratuita de financiamento com venda dos seus haveres em títulos. Além disso, no caso de fuga estrangeira dos dólares, o Fed poderia promover a procura externa de dólares com a exigência aos bancos estrangeiros que queiram operar nos EUA de aumentar as quantias das suas reservas, as quais estão baseadas no dólar.

Eu poderia prosseguir, mas acredito que isto é suficiente para mostrar que mesmo actores no processo que poderiam terminá-lo têm eles próprios um grande empenho em não balouçar o barco e preferem silenciosamente e vagarosamente escapar dos dólares antes de serem atingidos pela crise. Isto não é possível indefinidamente pois o processo de retirada gradual do dólar resultaria em pequenos declínios contínuos nos valores do dólar que acabariam numa corrida para a saída, mas os americanos não são o único povo iludido.

O próprio processo de sair vagarosamente pode deitar abaixo a casa americana. Os BRICs – Brasil, a maior economia da América do Sul, a Rússia, a economia com armamento nuclear e energeticamente independente da qual a Europa Ocidental (os fantoches da NATO de Washington) estão dependentes para obter energia, a Índia, com armamento nuclear e um dos dois gigantes em ascensão da Ásia, a China, com armamento nuclear, o maior credor de Washington (com excepção do Fed), que fornece à América manufacturados e produtos de tecnologia avançada e o novo bicho papão para a próxima lucrativa guerra fria do complexo militar e de segurança, e a África do Sul, a maior economia da África – estão em vias de formar um novo banco. O novo banco permitirá que as cinco maiores economias efectuem o seu comércio sem a utilização do US dólar.

Acresce que, o Japão, um fantoche americano desde a Segunda Guerra Mundial, está quase a entrar num acordo com a China no qual o yen japonês e o yuan chinês serão cambiados directamente. O comércio entre os dois países asiáticos seria efectuados nas suas próprias divisas sem a utilização do dólar estado-unidense. Isto reduz o custo do comércio externo entre os dois países, porque elimina pagamentos de comissões cambiais ao estrangeiro para converter o yen e o yuan em dólares e outra vez em yen e yuan.

Além disso, esta explicação oficial para o novo relacionamento directo evitando o US dólar é simplesmente a conversa diplomática. Os japoneses estão esperançosos, tal como os chineses, no abandono da prática de acumular cada vez mais dólares tendo de parquear seus excedentes comerciais em Títulos do Tesouro dos EUA. O governo fantoche japonês espera que a hegemonia de Washington não exija o veto a este acordo com a China.

Agora chegámos ao cerne da questão. A pequena percentagem de americanos que está consciente e informada está confundida porque os banksters, com os seus crimes financeiros, escaparam sem processo. A resposta pode ser que os bancos "demasiado grandes para caírem" são auxiliares de Washington e do Federal Reserve na manutenção da estabilidade do dólar e dos mercados de títulos do Tesouro a despeito da política indefensável do Fed.



PIB dos EUA, oficial e real.


 Vamos ver primeiro como os grandes bancos podem manter baixas as taxas de juro dos títulos do Tesouro, abaixo da taxa de inflação, apesar do aumento constante da dívida dos EUA em percentagem do PIB – preservando portanto a capacidade do Tesouro para atender ao serviço da dívida.

Os bancos demasiado grandes para cair que estão ameaçados têm um enorme desejo de taxas de juro baixas e do êxito da política do Fed. Os grandes bancos estão posicionados para tornar um êxito da política do Fed. O JPMorganChase e outros bancos de dimensão gigante podem conduzir para baixo as taxas de juro do Tesouro e, dessa forma, fazer subir os preços de títulos, produzindo uma corrida, com a venda de Interest Rate Swaps (IRSwaps).

Uma companhia financeira que venda IRSwaps está a vender um acordo para pagar taxas de juros flutuantes por taxas de juro fixas. O comprador está a comprar um acordo que lhe exige pagar uma taxa de juro fixa em troca da recepção de uma taxa flutuante.

A razão para um vendedor tomar o lado short das IRSwap, isto é, pagar uma taxa flutuante por uma taxa fixa, é a sua crença de que as taxas estão em vias de cair. O short-selling pode fazer as taxas caírem e portanto fazer subir os preços dos títulos do Tesouro. Quando isto acontece, como os gráficos em http://www.marketoracle.co.uk/Article34819.html ilustram, há uma corrida no mercado de títulos do Tesouro que os media financeiros presstitutos atribuem à "fuga para o abrigo seguro do US dólar e dos títulos do Tesouro". De facto, a evidência circunstancial (ver os gráficos no link acima) é de que os swaps são vendidos pela Wall Street sempre o Federal Reserve precise para impedir uma elevação nas taxas de juro a fim de proteger a sua política que de outra forma não seria sustentável. As vendas swap criam a impressão de uma fuga para o dólar, mas não ocorre nenhuma fuga real. Como os IRSwaps não exigem a troca de qualquer activos principal ou real e são apenas uma aposta em movimentos da taxa de juro, não há limite para o volume de IRSwasps.

Esta conivência aparente sugere a alguns observadores que a razão porque os banksters da Wall Street não foram processados pelos seus crimes é que eles são uma parte essencial da política do Federal Reserve para preservar o US dólar como divisa mundial. Possivelmente a conivência entre o Federal Reserve e os bancos é organizada, mas não tem necessariamente de ser. É do interesse dos bancos apoiá-la. A conivência organizada não é indispensável.

Vamos agora examinar as barras de ouro e de prata. Com base em análises sólidas, Gerald Celente e outros profetas talentosos previram que o preço do ouro seria de US$200 por onça-troy no fim do ano passado. O ouro e a prata em 2011 continuaram sua ascensão de dez anos, mas em 2012 o preço desses metais foi abatido, com o ouro descendo para US$350 por onça-troy da sua altura de US$1900.

Em vista da análise que aqui apresentei, qual é a explicação para a inversão nos preços do ouro e da prata? A resposta é mais uma vez o shorting. Algumas pessoas bem informadas dentro do sector financeiro acreditam que o Federal Reserve (e talvez também o Banco Central Europeu) coloca vendas à descoberto (short sales) de ouro e prata através de bancos de investimento, garantindo quaisquer perdas simplesmente teclando no computador, pois bancos centrais podem criar dinheiro a partir do ar.

Gente que sabe informa-me que como uma minúscula percentagem daqueles do lado short da compra realmente querem que o ouro ou a prata sejam entregues e ficam contentes com o acerto financeiro em dinheiro, não há limite para o short selling de ouro e prata. As vendas a descoberto podem realmente exceder a quantidade conhecida de ouro e prata.

Alguns que têm estado a observar o processo durante anos acreditam que a venda a descoberto dirigida pelo governo tem-se efectuado desde há muito tempo. Mesmo sem a participação do governo, bancos podem controlar o volume de comércio de papel em ouro e lucrar nas viragens criadas por eles próprios. Ultimamente o short selling é tão agressivo que não só amortece a ascensão do preço do ouro como também o conduz para baixo. Será esta agressividade um sinal de que o sistema manipulado está à beira de se desfazer?

Por outras palavras, o "nosso governo", que alegadamente nos representa, ao invés dos poderosos interesses privados que elegem o "nosso governo" com as suas contribuições de campanha de muitos milhões de dólares, agora legitimadas pela Supremo Tribunal Republicano, está a fazer tudo o que pode para privar-nos, a nós mero cidadãos, escravos, servidores vassalos e "extremistas internos" de nos protegermos a nós próprios e a nossa riqueza remanescente da política de depravação da divisa do Federal Reserve. A venda nua a descoberto impede o aumento da procura do ouro físico de elevar o seu preço.

Jeff Nielson explica um outro meio pelo qual os bancos podem vender ouro a descoberto quando não possuem qualquer ouro. http://www.gold-eagle.com/editorials_08/nielson102411.htm

l Nielson diz que o JP Morgan é o guardião (custodian) do maior fundo de prata e ao mesmo tempo é o maior short-seller de prata. Todas as vezes que fundo da prata aumenta os seu haveres, o JP Morgan faz shorts de uma quantia igual. O short selling compensa a ascensão no preço que resultaria do aumento da procura por prata física. Nielson também informa que os preços do ouro podem ser contidos pela elevação das exigências de margem àqueles que compram ouro com alavancagem. A conclusão é que os mercados de ouro podem ser manipulados tal como o mercado de títulos do Tesouro e as taxas de juro.

Por quanto tempo a manipulação pode continuar? Quando será o desastre?

Se soubéssemos a data com precisão, seríamos os próximos mega-bilionários.

Eis alguns dos catalisadores à espera de incendiarem a conflagração que irá incinerar o mercado de títulos do Tesouro e o US dólar:

Uma guerra, exigida pelo governo israelense, com o Irão, começando com a Síria, que interromperá o fluxo de petróleo e com isso a estabilidade das economias ocidentais ou levará os EUA e seus fracos fantoches da NATO a um conflito armado com a Rússia e a China. As altas súbitas do petróleo degradariam ainda mais as economias dos EUA e da UE, mas a Wall Street ganharia dinheiro com o comércio.

Uma estatística económica desfavorável que acordasse os investidores para o verdadeiro estado da economia estado-unidense, uma estatística que os media presstitutos não pudessem disfarçar.

Uma afronta à China, cujo governo toma a decisão de que golpear os EUA para fazê-lo descer a um estatuto de terceiro mundo vale um milhão de milhões de dólares.

Mais erros em derivativos, tais como o recente do JPMorganChase, que pôs o sistema financeiro estado-unidense outra vez a cambalear e recordou-nos que nada mudou.

A lista é longa. Há um limite para o número de erros estúpidos e políticas financeiras corruptas que o resto do mundo está disposto a aceitar dos EUA. Quando esse limite for alcançado, está tudo acabado para "a única super-potência mundial" para os possuidores de instrumentos denominados em dólar.

A desregulamentação financeira converteu o sistema financeiro, o qual antigamente servir os negócios e os consumidores, num casino de jogo onde as apostas não são cobertas. Estas apostas descobertas, juntamente com a política de taxa de juro zero do Fed, expuseram o padrão de vida e a riqueza dos americanos a grandes declínios. Pessoas aposentadas a viverem das suas poupanças e investimentos, IRAs e 401(k)s não podem ganhar nada com o seu dinheiro e são forçadas a consumir seu capital, privando assim os seus herdeiros de herança. A riqueza acumulada é consumida.

Em consequência da deslocalização de empregos, os EUA tornaram-se um país dependente de importações, dependente de bens manufacturados fabricados no estrangeiro, vestuário e calçados. Quando a taxa de câmbio do dólar cair, os preços internos nos EUA elevar-se-ão e o consumo real estado-unidense receberá um grande golpe. Os americanos consumirão menos e o seu padrão de vida cairá dramaticamente.

As graves consequências dos enormes erros cometidos em Washington, na Wall Street e em gabinetes corporativos estão a ser mantidos à distância por uma política indefensável de baixas taxas de juro e uma imprensa financeira corrupta, enquanto a dívida acumula-se rapidamente. O Fed passou por esta experiência outrora. Durante a II Guerra Mundial o Federal Reserve manteve as taxas de juro baixas a fim de ajudar o Tesouro a financiar a guerra com a minimização do fardo de juros da dívida de guerra. O Fed manteve as taxas de juro baixas pela compra de emissões de dívida. A inflação do pós guerra que resultou levou ao Acordo Federal Reserve-Tesouro de 1951, pelo qual foi decidido que o Federal Reserve deixaria de monetizar a divida e permitiria que as taxas de juro subissem.

O presidente do Fed, Bernake, tem falado de uma "estratégia de saída" e disse que quando a inflação ameaçar ele pode impedi-la pela retirada de dinheiro do sistema bancário. Contudo, ele só pode fazer isso pela venda de títulos do Tesouro, o que significa que as taxas de juro elevar-se-iam. Uma elevação nas taxas de juros ameaçaria a estrutura derivativa, causaria perdas em títulos e elevaria o custo tanto do serviço da dívida pública como da privada. Por outras palavras, impedir a inflação da monetização da dívida provocaria problemas mais imediatos do que a inflação. Ao invés de provocar o colapso do sistema, não seria mais provável que o Fed inflacionasse mais as dívidas maciças?

Finalmente, a inflação corroeria o poder de compra do dólar e a sua utilização como divisa de reserva, e a capacidade de pagar do governo dos EUA dissipar-se-ia. Contudo, os Fed, os políticos e os gangster financeiros prefeririam uma crise mais tarde do que uma crise mais cedo. Transferir o navio que afunda para o seguinte é preferível a afundar com o próprio navio. Enquanto os swaps de taxas de juros puderem ser utilizados para promover preços dos títulos do Tesouro e enquanto vendas a descoberto de ouro puderem ser utilizadas para impedir os metais preciosos de aumentarem de preço, a falsa imagem dos EUA como um abrigo seguro para investidores pode ser perpetuada.

Contudo, os US$230.000.000.000.000 em apostas derivativas dos bancos estado-unidenses podem trazer as suas próprias surpresas. O JPMorganChase teve de admitir que a sua perda de US$2 mil milhões em derivativos, recentemente anunciada, é maior do que isso. Quão maior está para ser visto. De acordo com Controlador da Divisa ( Comptroller of the Currency ) os cinco maiores bancos possuem 95,7% de todos os derivativos .

Os cinco bancos que possuem US$226 milhões de milhões em apostas derivativas são jogadores altamente alavancados. Exemplo: o JPMorganChase tem activos totais de US$1,8 milhão de milhões mas possui US$70 milhões de milhões em apostas derivativas, um rácio de US$39 em apostas derivativas para cada dólar de activos. Um banco assim não tem de perder muito mais apostas antes de estar quebrado.

Activos, naturalmente, não são capitais com base no risco. De acordo com o relatório do Controlador da Divisa, em 31/Dezembro/2011 o JPMorganChase possuía US$70,2 milhões de milhões em derivativos e somente US$136 mil milhões em capital com base no risco. Por outras palavras, as apostas derivativas do banco são 516 vezes maiores do que o capital que cobre as apostas.

É difícil imaginar uma posição mais temerária e instável para um banco do que aquela em que se colocou, mas o Goldman Sachs ganha o prémio. Que os US$44 milhões de milhões do banco em apostas derivativas sejam cobertos por apenas US$19 mil milhões em capital com base no risco, resultando em apostas 2.295 vezes maiores do que o capital que as cobre.

Apostas em taxas de juro abrangem 81% de todos os derivativos. Estes são os derivativos que suportam os altos preços dos títulos do Tesouro dos EUA apesar dos aumentos maciços na dívida do país e da sua monetização.

As apostas derivativas de US$230 milhões de milhões dos bancos estado-unidenses, concentradas em cinco bancos, são 15,3 vezes maiores do que o PIB dos EUA. Um sistema político fracassado que permitiu bancos desregulamentados colocarem apostas descobertas 15 vezes maiores do que a economia dos EUA é um sistema que está destinado ao fracasso catastrófico. Quando se divulgar a fantástica falta de juízo dos sistemas político e financeiro americanos, a catástrofe estará pronta a tornar-se realidade.

Toda a gente quer uma solução, de modo que apresento uma. O governo dos EUA deveria simplesmente cancelar os US$230 mil milhões em apostas derivativas, declarando-as nulas e revogadas. Como não há activos reais envolvidos, meramente jogos sobre valores nocionais, o único grande efeito de fechar ou reter todos os swaps (principalmente contratos de balcão entre contrapartes) seria retirar US$230 milhões de milhões de risco alavancado para fora do sistema financeiro. Os gangsters financeiros que querem continuar a desfrutar ganhos em apostas enquanto o público subscreve as suas perdas chorariam baba e ranho acerca da santidade dos contratos. Contudo, um governo que pode assassinar os seus próprios cidadãos ou lançá-los em masmorras sem o devido processo pode abolir todos os contratos, se quiser, em nome da segurança nacional. E certamente, ao contrário da guerra ao terror, purgar o sistema financeiro do jogo de derivativos melhoraria amplamente a segurança nacional.
05/Junho/2012


O original encontra-se em
http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=31272

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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Austeridade ou crescimento, a alternativa que não resolve os problemas da Europa


As políticas de austeridade impostas pelos grandes poderes financeiros por intermédio dos governos da França e Alemanha e do Banco Central Europeu são um fracasso rematado: levaram quase toda a Europa a outra recessão, agravaram o peso da dívida, as assimetrias e a paralisação, estão a destruir a coesão social da Europa e direitos sociais cuja conquista custou décadas de conflitos e lutas, destroem milhares de empresas, criam pobreza e exclusão, produzem um afastamento, quem sabe se definitivo, entre a população e as autoridades públicas, e estão dando asas à extrema direita fascista e neonazi que os banqueiros e grandes industriais sempre açularam em época de crise.

Não há nenhuma experiência histórica nem evidência empírica que permita afirmar que se possa sair de uma crise como a que estamos (de racionamento financeiro e falta de procura efectiva) com menos gasto, de modo que insistir em reduzi-lo sem ao mesmo tempo tomar medidas que garantam novamente o financiamento e que proporcionem rendimentos adicionais à população consumidora é uma via que só leva à depressão e ao desastre.

A cegueira ideológica das autoridades políticas e dos economistas que assinalam o caminho impede-lhes de reconhecer esta realidade. E sua submissão aos poderes financeiros (agora só interessados em aproveitar a crise para aumentar seus privilégios) leva-os a insistir em novos cortes, que só servem para que os bancos, especuladores e grandes empresas aumentem seus lucros e um poder já absoluto que está a liquidar as já em si débeis democracias a que se permite o capitalismo da nossa época.

Os cortes em educação, investigação, inovação, em infraestruturas vitais e em prestações sociais só vão trazer anos de atraso e uma instabilidade sociais de terríveis antecedentes na Europa.

Tão clara é a evidência de tudo sito que, desde há semanas, começaram a abrir-se gretas nos blocos políticos dominantes e a filtrar-se a ideia de que é imprescindível por fim a esta barbaridade política e económica. A pressão de movimentos sociais, de economistas críticos ou inclusive das personalidades mais sensatas do próprio establishment contribuiu decisivamente para isso e a vitória do socialista Hollande nas eleições francesas possivelmente será o que obrigue definitivamente a por em causa as políticas de austeridade.

Mas a alternativa que se está a difundir frente a elas é insuficiente e inadequada: a do crescimento. Uma estratégia que já demonstrou poder ser muito perversa e pouco útil se não se explicitar claramente o que implica e aonde queremos que nos conduza.

CRESCIMENTO NÃO BASTA

Travar os cortes de despesas públicas e em geral todas as políticas de austeridade que estão a impedir que se regenere o privado e se recupere o pulso económico é uma pré-condição indispensável para que na Europa se volte a criar emprego e para garantir padrões mínimos de bem-estar e protecção a toda a população. Mas trata-se só de uma pré-condição para evitar o desastre. Para conseguir que não se volte a produzir outra crise maior e com piores perturbações e danos do que aqueles que agora estamos a sofrer são precisas mais coisas.

Não basta fazer com que cresça o Produto Interno Bruto de qualquer forma nem injectar mais dinheiro ainda de qualquer modo.

Ainda que a crise se tenha desencadeado, visto à superfície, pela desregulamentação financeira e pelos roubos continuados que centenas de bancos efectuaram com a anuência das autoridades, suas causas profundas (aquelas que a tornaram sistémica) e as que tornarão a provocá-la novamente se não forem resolvidas, são outras: a grande desigualdade que deriva rendas incessantes para a especulação financeira, a utilização intensiva e perdulária de recursos naturais e energia que rompe a harmonia básica e os equilíbrios imprescindíveis entre a sociedade e a natureza, e uma degeneração progressiva do trabalho que empobrece a população e o tecido empresarial e que trava a inovação e o incremento da produtividade.

Sem enfrentar tudo isso, promover novamente o crescimento do produto interno "à bruta", a base de despesa pública e injectando recursos para a criação de mais infraestruturas e para o fornecimento de mais serviços públicos, pode travar a deriva para a depressão na qual nos encontramos, como já ocorreu com os planos de estímulo, mas sem dúvida será insuficiente e terminaria por provocar problemas ainda mais graves do que os que temos.

O crescimento entendido como um objectivo em si mesmo, sem mais explicitações, medido através de um indicador tão perverso como o PIB e sem ter em conta os custos sociais, ambientais e antropológicos que traz consigo, favorecer a acumulação e voltará a dar bons lucros a certos ramos do capital, além de gerar algo mais de emprego em bem-estar. Mas, nessas condições, estes últimos não serão os suficientes para alcançar níveis mínimos de estabilidade e satisfação social, como demonstra a experiência vivida nos últimos trinta anos, nem com isso se poderá evitar reincidir no vício mais cedo do que tarde.

O que a Europa precisa não são planos de crescimento do PIB e sim uma estratégia global para a igualdade, o bem-estar e a responsabilidade ambiental baseada na promoção de novos tipos de actividade, de propriedade e de gestão empresarial, na generalização do emprego decente, na utilização sustentável das fontes de energia e dos recursos naturais que modifique radicalmente o actual modelo de metabolismo sócio económico, e na promoção de uma cidadania democrática, plural, participativa e cosmopolita. Em também, passe o paradoxo, baseada na austeridade mas no que esta tem de respeito para com o equilíbrio natural e pessoal e com a boa utilização dos recursos, de recusa do desperdício; mas não de renúncia aos direitos sociais e à igualdade, como entendem os neoliberais.

E além disso são imprescindíveis reformas políticas institucionais que travem o poder dos grandes grupos oligárquicos e que permitam que as autoridades representativas sejam aquelas que realmente adoptem as decisões em função dos mandatos da maioria social no âmbito de uma autêntica democracia. Sem criar um autêntico poder público na Europa, sem submeter a actuação do Banco Central Europeu às exigências dos interesses sociais e sem acabar com a sua cumplicidade com os interesses bancários privados, sem sanear o sistema financeiro europeu declarando o financiamento da vida económica como um serviço de interesse público essencial, nacionalizando os bancos que não se submeterem e fomentando novos tipos de finanças descentralizadas e de proximidade, sem dispor de um autêntico tesouro europeu e sem recolocar a concepção da união monetária, para não mencionar senão as questões mais urgentes, a Europa continuará a balouçar-se irresponsavelmente à beira do precipício e os apelos ao crescimento só servirão, se me permitem a expressão, pouco mais do que para embebedar o peru e enganar mais uma vez os povos.

A questão a colocar sobre a mesa na Europa não é se cortamos um pouco menos as despesas e injectamos algo mais de recursos para as mesmas actividades e infraestruturas de sempre (outra vez auto-estradas, habitações, mais comboios de alta velocidade...) e sim se rompemos ou não com o poder das finanças privadas e das grandes corporações empresariais e oligárquicas que nos dominam e que nos levaram à situação em que estamos.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Carta aberta aos líderes mundiais que comparecerão à cimeira de 15 de Novembro na Casa Branca acerca dos mercados financeiros e a economia mundial


por: Paul Davidson e Henry C.K. Liu


Caros líderes do mundo:


O Inverno de 2008-2009 provará ser o inverno do descontentamento económico global a marcar a rejeição da ideologia enviesada de que mercados financeiros globais não regulamentados promovem a inovação, a eficiência do mercado, o crescimento sem restrições e a prosperidade sem fim ao mesmo tempo que reduzem o risco através da sua difusão por todo o sistema. Durante mais de três décadas a corrente dominante de economistas neoliberais pregou, e os reguladores aceitaram, o mito da eficiência dos mercados não regulamentados, ignorando a lição crítica proporcionada pela análise de John Maynard Keynes da interconexão dos mercados financeiros e do sistema de pagamentos internacional.


Aqueles que não aprendem as lições da história estão destinados a repetir as suas tragédias. Os economistas neoliberais nas últimas três décadas negaram a possibilidade de uma repetição da destruição da Grande Depressão à escala mundial após o colapso da bolha especulativa criada pelos mercados financeiros sem restrições dos EUA dos "Frenéticos anos 20". Eles enganaram-se a si próprios ao pensar que a falsa prosperidade construída sobre a dívida poderia ser sustentável com complacência monetária. Agora a história está a repetir-se, desta vez com o vírus novo e mais letal que infestou os mercados financeiros globais desregulamentados: a "inovadora" titularização de dívidas, as finanças estruturadas e as operações bancárias independentes inundadas com o excesso de liquidez libertado por bancos centrais acomodatícios. Uma maciça estrutura de riqueza fantasma foi construída sobre a areia movediça da manipulação da dívida. Esta bolha da dívida finalmente implodiu em Julho de 2007 e agora está a ameaçar deitar abaixo todo o sistema financeiro global e a provocar um colapso económico a menos que liderança política esclarecida adopte medidas correctivas numa escala global.


O problema das hipotecas sub-prime dos EUA que começou em 2007 redundou como era de esperar num pântano que provocou a falha dos mercados financeiros interconectados e ameaçou a viabilidade de instituições financeiras à escala mundial pelo contágio propagado à velocidade electrónica através de um antiquado e disfuncional sistema internacional de pagamentos.


Para deter o colapso financeiro global, pode-se aprender muito com a visão de Keynes de como o sistema internacional de pagamentos deveria funcionar para permitir a cada país promover uma política de pleno emprego sem ter de temer problemas de balança de pagamentos ou permitir que incidentes financeiros infectem o sistema bancário interno e sistemas financeiros não-bancários.


Uma outra Grande Depressão pode ser evitada se os líderes mundiais reconsiderarem o sistema analítico de John Maynard Keynes que contribuiu para a era dourada do primeiro quarto de século após a Segunda Guerra Mundial. Os signatários e outros há muito advogam uma nova arquitectura financeira internacional baseada numa versão actualizada para o século XXI do Plano Keynes originalmente proposta em Bretton Woods no ano de 1944.


Esta nova arquitectura financeira internacional tem como objectivo criar (1) um novo regime monetário global que opere sem divisa hegemónica, (2) um relacionamento do comércio global que apoie o desenvolvimento interno ao invés de retardá-lo e (3) um ambiente económico global que promova incentivos a cada país para promover o pleno emprego e aumentar os salários da sua força de trabalho.


Atentamente, Paul Davidson

Editor,
Journal of Post Keynesian Economics
Visiting Scholar
Schwartz Center for Economic Policy Analysis,
The New School, New York

Henry C.K. Liu
Visiting Professor of Global Development,
Department of Economics,
University of Missouri-Kansas City

Texto original em: http://henryckliu.com/page174.html e

http://atimes.com/atimes/Global_Economy/JK08Dj06.html
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